Lancheira saudável

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Bruna Menegueço

Pesquisa americana mostra que o lanche de 9 entre 10 crianças atingem temperaturas que podem prejudicar a qualidade dos alimentos. Veja como garantir a segurança na hora de montar a lancheira do seu filho

Fruta, sanduíche e suco. Na hora de montar a lancheira do seu filho, você se preocupa em escolher alimentos para que ele faça uma refeição equilibrada. E como manter a qualidade do lanche até a hora do recreio da criança?

Um estudo feito pela Universidade de Texas, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Pediatrics, com 705 crianças que estavam na pré-escola, mostrou que o lanche de 90% delas foi considerado inadequado para consumo. Segundo os cientistas, os alimentos haviam atingido uma temperatura muito alta, o que facilita a proliferação de bactérias e pode causar doenças.

Os pesquisadores mediram a temperatura dos lanches uma hora e meia antes de serem consumidos. Das 705 lancheiras testadas, 39% não tinham nenhum tipo de refrigeração – como gelo reutilizáveis ou embalagens térmicas – e 45% tinham apenas um gelo. Cerca de 82% dos lanches estavam na temperatura ambiente.

Apesar do resultado alarmante, os médicos ainda não sabem o impacto que isso pode causar na saúde e no desenvolvimento das crianças. “Este é um estudo provocativo”, diz o pediatra Michael Green, do Hospital Infantil de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Para garantir a segurança dos alimentos que seu filho leva na lancheira, o primeiro passo é saber a hora do recreio da criança. “O tempo entre o preparo e a hora do consumo é fundamental para acertar na escolha”, diz a nutricionista Werusca Barrios, do Hospital Samaritano, em São Paulo. 

Tanto a lancheira quanto a garrafa têm de ser térmicas e no caso de alimentos que precisam de refrigeração, a saída é colocar gelos reutilizáveis. “Para calcular a quantidade de gelinhos, inclua sempre o suficiente para igualar o peso de todos os alimentos juntos”, diz a nutricionista. Por exemplo, se um iogurte, uma fruta e um sanduíche pesam 250 gramas, coloque a mesma quantidade de gelos na lancheira.

Se possível, deixe a lancheira vazia na geladeira durante a noite. Ela vai absorver a temperatura e manter o gelo e a qualidade dos alimentos por mais tempo. O mesmo vale para a garrafa térmica.

 Escolha bem os alimentos

Na hora de escolher os alimentos, lembre-se que os derivados do leite – como iogurtes, queijos, requeijão – são mais sensíveis às mudanças de temperatura e perdem a qualidade facilmente. Com os cuidados adequados, esses alimentos mantêm as características por duas horas. O mesmo tempo vale para os embutidos, como peito de peru e presunto.

As melhores frutas são maçã, pêra, banana, pêssego, goiaba, uva e nectarina. As frutas que precisam ser descascadas como mexerica e manga perdem um pouco de nutrientes. Antes de embalar, higienize bem a fruta. As que a criança consome a casca têm de ser lavadas em água corrente e depois colocadas em uma solução clorada (o produto é vendido em supermercados, veja no rótulo da embalagem como proceder). Se a casca for descartada, só lave e seque.

Pães, biscoitos, cookies, barrinhas não estragam, assim como queijos processados e sucos industrializados. Na hora de escolher a melhor opção para o seu filho, cheque se no rótulo do suco, há corante ou sabor artificial. Fuja desses e prefira sempre os preparados com frutas.

Fonte: Revista Crescer

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Cozinha para desfrutar

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Texto de Rosely Sayão

Folha de São Paulo, 06/05/2010

Conversei com um garoto de seis anos e ele me contou que, quando o pai cozinha, ele vai jantar e dormir na casa da avó -o que, por sinal, ele disse adorar. Perguntei se ele não gosta da comida que o pai prepara e ele respondeu que é sempre uma “comida muito estranha”. Na casa da avó ele gosta de jantar arroz, feijão, picadinho e salada.

A arte culinária -ou gastronomia- está mesmo na moda. Homens e mulheres têm se dedicado a comprar livros e pesquisar receitas, conhecer ingredientes novos e locais onde se vendem produtos de qualidade, comprar utensílios dos mais variados tipos -que vão do sofisticado ao antigo com novo desenho etc. Até as escolas têm usado a cozinha como laboratório de ensino para as crianças.

Há quem nunca tenha se interessado pela cozinha e agora se deleita com essa nova descoberta. Jantar em restaurantes de chefs aclamados, assistir a programas de televisão com esse tema, frequentar sites e blogs que exploram o universo da gastronomia e promover jantares em casa para os amigos têm sido bons programas para essas pessoas.

A cozinha e a sala de jantar transformaram-se, para muita gente, em locais de jogo de adulto, e nem sempre as crianças desfrutam dessa brincadeira de gente grande. Sim: o jogo é importante na vida de todos, mas, num mundo em que as crianças foram invadidas pelo mundo adulto, parece que esse espaço lúdico ficou reservado aos adultos.

Cozinhar é um ato generoso e de amor. O primeiro contato da criança com esse mundo dá-se por meio da alimentação: é pela amamentação que o bebê estreita seu vínculo com sua mãe, aconchega-se a ela, sente seu cheiro, o calor de seu corpo e se acalma. Entretanto, num mundo em que a oferta de alimentos industrializados é intensa e sedutora, logo as crianças são apresentadas às guloseimas vendidas e muitas famílias passam a acreditar que é disso que elas mais gostam.

Uma pesquisa recente, realizada com famílias de todas as classes sociais, apontou que bebês a partir de quatro meses já comem bolachas, massas congeladas etc. Nas escolas, podemos constatar esse costume pelo conteúdo das lancheiras das crianças pequenas: salgadinhos, biscoitos recheados, bolos e sucos industrializados ganham longe dos lanches feitos em casa. E vale dizer que, além de as crianças gostarem, a praticidade de montar um lanche desse tipo conta muito para as mães.

O interessante é que é justamente na cozinha e na sala de jantar, de onde muitas crianças foram banidas, que elas poderiam conhecer, na prática, as tradições, as histórias e a cultura de sua família, experimentar o sentimento de pertencer a um grupo, ser alimentada com amor, atualizar os afetos familiares e perceber o quanto o mundo é vasto e diverso. Mas, em vez disso, ficam sabendo das mazelas do mundo adulto enquanto comem as mesmas coisas de sempre em frente à televisão.

O estilo de vida urbano parece impedir a reunião familiar, incluindo as crianças, nos horários de alimentação. Mesmo assim, é possível fazer isso acontecer com regularidade. Para tanto, insisto, é preciso encarar o ato de comer como um fato social acima de tudo.

Os pais, hoje principalmente as mães, usam e abusam da frase “eu te amo” com os filhos. Talvez isso seja necessário porque faltem atos que expressem esse amor, entre eles o de cozinhar amorosamente para eles e o de desfrutarem juntos do resultado obtido.

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